quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Podemos dormir descansados

Teixeira dos Santos veio dizer que as poupanças dos portugueses estão garantidas aconteça o que acontecer… e o Chocrático ficou na dúvida – então não era este ministro, juntamente com o seu colega Pino (desta vez sem o Lino) e o patrão Zé Chócrates que há algum tempo atrás diziam que não havia crise nenhuma e que se houvesse alguma “crise externa” esta não iria afectar Portugal? Pois….

Cristiano Ronaldo no desemprego

Há algum tempo atrás, aquando da apresentação dos resultados do BES no primeiro semestre deste ano, Ricardo Espírito Santo afirmou algo como “temos que equacionar uma redução de pessoal” o que se justificava, na óptica daquele, porque o BES só havia tido lucros de quarenta e tal milhões de contos [no primeiro semestre, note-se]. Ora com os mercados financeiros em convulsão, as acções a caírem a pique e a crise do subprime, o Chocrático, no alto da sua inocência de quem não percebe nada disto, tem para ele que o BES no segundo semestre vai ter lucros ainda inferiores aos quarenta e tal milhões de contos que, pelos vistos, eram coisa pouca. Por isso, o Chocrático antecipa já aqui que todos os funcionários do BES que ainda não o foram, vão ser despedidos agora, incluindo o Cristiano Ronaldo, que tanta publicidade faz ao banco. Mas descanse quem tem conta no BES: os funcionários vão ser “reduzidos a zero” mas os administradores mantêm-se e bem pagos como até aqui. Afinal de contas se houve alguém que teve visão estratégica e/ou avalizou os investimentos em fundos imobiliários norte-americanos que tão belos frutos têm gerado não foi, com certeza, o caixa do balcão de Freixo-de-Espada-à-Cinta…

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Mais uma crise resolvida

O Chocrático deparou-se com o ministro Mário Lino a passear lá para os lados da Ota e questionou-o sobre o que fazia por ali. Eis as suas palavras: “Já que o novo aeroporto não vai ser construído aqui, estou a pensar rentabilizar os terrenos. Assim, prosseguindo a política de Zé Chócrates de proteger quem mais precisa, vamos resolver uma grave crise habitacional e social que afecta um sector da população. Para isso o governo vai construir moradias com piscina que serão entregues a quem precisa, neste caso os vereadores, os deputados da Assembleia Municipal e outros quadros superiores da Câmara Municipal de Lisboa que recebem tão pouco que só podem pagar rendas de algumas dezenas de euros em casas camarárias no centro da cidade…”.

A verdadeira razão

O Chocrático tem para si que esta onda de assaltos (ele são bancos, postos de abastecimento, ourivesarias, caixas multibanco e tudo o que vier à rede) tem uma base social: os cidadãos que se dedicam a essas actividades de risco procuram apenas complementar os seus magros orçamentos familiares, já que os vencimentos do agregado familiar (à semelhança do que se passa com muitos outros portugueses) não chegam para as prestações da casa e do carrito modesto, para as despesas do supermercado e da farmácia, e ainda para o material escolar, incluindo os livros e os indispensáveis “Magalhães”, para as crianças.
É que nem todos podem ter empregos como deputados, gestores públicos ou administradores de bancos para dispor de um ordenado que permita cobrir todas essas despesas…

(alterada em 6 Out 2008)

Férias (3)

Foi à porta do dito bar que o carro do Chocrático veio a ser encontrado alguns dias mais tarde, só que, quando o foi buscar e pretendia regressar a casa, perdeu-se numas estradas sem qualquer indicação (as únicas do país nessas condições, certamente) e acabou por ir parar ao centro da Quinta da Fonte. Foi aí que o Chocrático teve oportunidade de constatar a que é que os nossos governantes se referem quando dizem que vivemos num país seguro, já que quase todos os moradores do bairro andavam armados, alguns ostentando mesmo carabinas e shotguns. “Se todos os bairros fossem assim não havia roubos nem violência – cogitou o Chocrático – só faltavam mesmo eram uns rottweillers e uns pitbulls à solta para morder quem não fosse conhecido no bairro e a segurança dos moradores era completa…”.

Férias (2)

Pior foi quando, no último dia de férias e quando dava um passeio de carro pelos subúrbios de Lisboa (já que o dinheiro não dá para mais) o Chocrático foi vítima de um roubo por carjacking e se viu privado do seu carocha de 1967. Embora não fosse uma viatura de alta cilindrada, era a que estava mais à mão, conforme os ladrões tiveram a amabilidade de explicar antes de arrancar com o carro a alta velocidade (que é como quem diz…). Felizmente que o carro não foi danificado nem utilizado no roubo de nenhuma caixa multibanco, já que os ladrões apenas queriam ir beber umas imperiais e comer uns amendoins e não lhes apetecia ir a pé até ao bar, que ficava três quarteirões abaixo do local onde o Chocrático foi assaltado. Dado que o pior que lhes pode acontecer é terem de se apresentar semana sim semana não na esquadra do bairro, alguns cidadãos habituam-se a puxar da arma e a pedir carros emprestados para ir para o emprego – roubar bancos, gamar caixas multibanco, assaltar postos de abastecimento, etc. – e depois não querem outra coisa, incluindo ir de “rabinho tremido” até ao café ou à padaria…

Férias (1)

Pois é, o Chocrático tem andado desaparecido da blogosfera, mas por razões pertinentes, nomeadamente porque esteve a fazer companhia a Zé Chócrates nas férias deste. Assim, enquanto o nosso director geral - mais comedido devido à situação económica do país - se ficou por uma unidade hoteleira de luxo no sul de Espanha, o Chocrático, mercê das poupanças amealhadas desde as últimas férias, alambazou-se com três dias de férias na tenda que alguns familiares (ainda) têm no parque de campismo da Costa da Caparica.